quinta-feira, 23 de julho de 2009

Essa máquina de café me traz um aroma colorido. Como quando me escondia de você, e do que mais me era abrigo. Os detalhes mais pequenos, guardados em caixinhas de papelão. E os retalhos dos teus olhos, eu guardava no coração. Do vestido, entre as mãos. E do nosso amor, o que não é. E nunca foi, talvez. O que nunca será. Ou o que pra sempre estará. Em mim. Se teus olhos já fechados são de sono, eu me engano. Vejo-lhes tão bonitos, como de natureza nascera. Nas canções de noite frias, seus acordes me aquecera. Nunca esquecerei do desenho que me fez, e abraça quando choro. Mesmo quando choro, eu te amo.

domingo, 19 de julho de 2009

Todas as coisas se abrem. Talvez seja um charme, ou apenas uma simples regra. O vento abre as nuvens. As crianças abrem os medos. A lua abre um sorriso. Seus olhos se abrem pra mim. E os encantos bons que estão em você, voam. Se perdem ao infinito, em liberdade. Olho já tarde, e me volto tão tristonho. Chuto o vento, lendo a noite. Sento à margem de um velho banco solitário. Paro, e de tão paro, não respiro. Observo ao fundo e ao lado. Toco o vento, que outrora eu chutara, e agora o sinto. Eu o amo, mas as vezes ele me irrita. Não é sempre. Quando penso que apenas o vento está comigo, me engano. Quase que sem querer, olho pro céu. Está florido. Não, está estrelado. Mas enchergo o que quero, e à noite as estrelas florescem. Ao lado vejo a lua, que parece me cantar uns contos. Ou contar uns cantos. Me alegro novamente. E quando estou a me retirar, ouço um vasto assobio. Meio desajeitado, talvez. Mas me soou muito bem aos ouvidos. Olho então às minhas costas, e vejo vir a chuva. Que antes de me molhar o que fosse, disse-me: ser solitário, as vezes, é um sorriso alegre em meio à solidão.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Olha pra mim. Sei que podes em um relógio ver meus medos e meus dedos. Eles que carregam com garra e força, com um pouco de açucar, o meu amor. Por você é que cantarei, cultivarei e matarei o que resta. Nem do choro me dou medo, ele é água com sal, e não bolacha. Chamo tanto e pouco ouço. Sou igual ao que todos deveriam ser, mesmo não sendo. Então dança, comigo é claro. Me manda uma carta, um beijo, ou uma estrela se quer. Ou apenas feche os olhos. Todas as noites de preferência. É fácil ver, só não vê se tens um olho aberto. Olha o castelo que te fiz, com todo calor e o pôr-do-sol que achei no céu de pó. Veja a toda hora o que te sinto. Veja tudo que quiser ao fechar os olhos. Já está feito, só pra você. Passei dias e dias pintando o céu com guache, e à você que dediquei. Lá tem estrelas, a lua, as coisas, a saudade, e o amor. É o que você merecia de mais honesto. O que mais queria lhe dar é impossível; não cabe ao mundo. Cabe apenas a única: você.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Encontro flores no jardim que voam noites. Bonita e escandalosa me prendeu, onde tudo era tranquilo. Me ensinou ser um artista. Pintar os quadros como a vida, e a vida como bela. Onde dentro de si mesmo encontrara sendo simples. E quando caprichava na conta, perdia. Era um jogo de bobagens, e onde o chocolate tesouro seria. Seria também um olho no mundo, e outros nas estrelas. Havia pouco, e pouco mais de mil olhos. Eram suficientes para ver as estrelas, não mais do que dois. E tranquilamente, não mais do que um. As estrelas se cansaram de vergonha, por ser vigiada a todo tempo pela face. Veria eu, com meu coração a tal estrela, a tal florida estrela. Que de noite, eu sonhei vê-la passar.
Vem chorando o outono. Onde folhas beijam chão. Onde arvores dançam. E as valsas no salão. Vem com vestido bordado, e uma flor de lado brilha. É o outono que combina. Junta peças de teatro com magia de feliz. Um rosto pintado no espelho é calado. É um palhaço escondido, vendo o circo viajar. Entre as cidades mais desertas que um coração pode criar. Entre as canções mais alegres que um tom alcançará. Sentindo saudade estou, do outono e de você, meu querido outono.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Perdôes lhe devo tantos. Sem jeito, dou um jeito. E de costas, fujo. Fujo do que lembro, mas me tanto dói as vezes que é preciso um remédio. O remédio me dá sono, durmo. Na madrugado me balanço, caio à cama. Sempre torta pelos livros que debaixo, miram minhas fugas. Vou a janela que me abriga. Abre a cortina, meio acanhada de vergonha, e me deixa ver o incrível. O céu me acalma, a lua me encanta, e as nuvens me cantam. Posso voltar a descansar, ou a sonhar. Ou a ler, ou a pensar. O que menos importa agora, é voltar a dormir.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Primeiro ouço um tiro alto, que ensurdeceu meus brandos ouvidos. Segundo sinto uma facada pelas costas, um verdadeiro ato de covardia (há quem diga que foi um ato de coragem). Terceiro mastigo o gosto de terra e de sangue, que me fez a morte prematura. Ainda tive tempo de pensar: "Morrer primeiro, morrer segundo, morrer terceiro..." Foi quando sem mais nem mais, apareceu um soldado sem braço, sem rosto. Um tiro. A morte. "Agora sim estou morto" Pensei eu, em voz baixa. Ora, já nem havia voz alta, eu era um cadaver. Dando uma rápida volta pelo campo de guerra, podemos enxergar qualquer aroma de terror (Aroma se enxerga, não se sente). Eu não via e não sentia. Apenas ouvia. É isso que os mortos fazem. E pude ouvir gritos, gemidos, e pedidos de socorro. E o socorro de muita gente era pedir a morte, mas ela estava de férias. Ouvia também a gargalhada oca do sangue, que aos poucos dava uma nova textura as paredes da cidade. E que saudade de quando o que eu ouvia era o "tam tam tam" de uma velha gaita ao invés do "papapa" dessas novas metralhadoras. O amor existe, mas bem longe daqui.