domingo, 19 de julho de 2009

Todas as coisas se abrem. Talvez seja um charme, ou apenas uma simples regra. O vento abre as nuvens. As crianças abrem os medos. A lua abre um sorriso. Seus olhos se abrem pra mim. E os encantos bons que estão em você, voam. Se perdem ao infinito, em liberdade. Olho já tarde, e me volto tão tristonho. Chuto o vento, lendo a noite. Sento à margem de um velho banco solitário. Paro, e de tão paro, não respiro. Observo ao fundo e ao lado. Toco o vento, que outrora eu chutara, e agora o sinto. Eu o amo, mas as vezes ele me irrita. Não é sempre. Quando penso que apenas o vento está comigo, me engano. Quase que sem querer, olho pro céu. Está florido. Não, está estrelado. Mas enchergo o que quero, e à noite as estrelas florescem. Ao lado vejo a lua, que parece me cantar uns contos. Ou contar uns cantos. Me alegro novamente. E quando estou a me retirar, ouço um vasto assobio. Meio desajeitado, talvez. Mas me soou muito bem aos ouvidos. Olho então às minhas costas, e vejo vir a chuva. Que antes de me molhar o que fosse, disse-me: ser solitário, as vezes, é um sorriso alegre em meio à solidão.

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