quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Andava eu dançando pela rua, isso segundo pessoas que me viam caminhando. Ou dançando, segundo eles. Era como se eu soubesse da tal dança, era como uma valsa em meus pés. Havia eu, apenas, e o silêncio. Talvez o som da minha respiração. Ou talvez o cheiro dela. Olhava para o chão, atento, como se ele fosse sumir, ou quem sabe cair ao espaço a qualquer momento. Com coragem olhei para o céu, para o sol, que a essas horas não mais estava lá. Vi estrelas, olhando-me com seus rostos brancos como os braços da minha pequena, que gigante era no coração, passado. Soube logo que ela estava ali, sim, eu sabia. Não a achei, e quase cansei. Se não fosse pela arvore que me escondia à sete chaves tudo que eu queria ver, ou tocar. A cada passo me esquivando da arvore ela foi invadindo meus olhos, como um branco na imensidão que meus olhos descobriam. Foi alí que pude ter certeza: branco também é uma cor. E das mais belas por sinal. Era a lua, tranquila como o vento assobiando melodias ao meu redor. Joguei a ela o mais bonito dos diálogos, percebendo sua tristeza por estar só. Era culpa das estrelas, que dias me agradam tanto e outros dias me decepcionam profundamente. Entre tropeços quase que impercebíveis e conversas de bebâdos de botequim à beira de estranha, eu ia para casa. Feliz por tê-la encontrado, e triste por vê-la ir embora. Eu estava tão próximo dela, mas tão próximo naquele dia, que me tornei a pessoa mais distante dela.

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