Corri lentamente cada degrau daquela velha escada. A tal escada que me rachara a cabeça quando eu era apenas uma criança, e sabia tudo sobre a vida. Sabia porque os dedos murcham quando me banho. Sabia também contar as coisas mais absurdas, para mim era perfeitamente fácil saber quanto dava quarenta bilhões vezes infinito. Muitas coisas eu sabia. Porque a lua é branca. Porque o tempo corre. Porque eu me desenho. E porque o sol os colore. Sim, tudo sabia eu. Porque a gente morre. Do que é feita a neve. E do que é feita a nuvem. O que é cativar? Sabia eu. Sabia conversar com a lua, e as vezes a beijar. Sabia dançar com o vento, e as vezes o trair. Sabia abraçar as arvores, e as vezes não aparecer. E sabia girar na chuva, depois que ela me encontrasse no meu mais seguro esconderijo: o mundo de sofia. Foi tudo o que consegui pensar enquanto subia aquela enorme escada. Cada vez fui subindo mais rápido, como se pudesse voar. E no último degrau, enfim, voei. Voei até minha idade, caduca. Peguei-a nas mãos e precisei fazer malabarismo para que não me escapasse por entre os dedos. Decidi ali, nunca mais ter idade alguma. Não crescer, não envelhecer, e não nascer. Decidi saber tudo que eu soubera há anos atrás, quando sabia da vida ver o que mais belo me agrada. Atirei-a céu abaixo, sem pena e nem raiva. Ela entendera que eu queria apenas não precisar de ninguém além do céu, do sol, da chuva, das flores, das cores e da vida. Entendera ela naquele momento, como todas as pessoas não, que eu queria era apenas viver, e não como tantos outros, apenas existir.
Já olhou o céu hoje?
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
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