domingo, 2 de agosto de 2009
Uma mão delicada tocou minhas costas. Era quase dia, com o céu ainda escuro. Disse-me tantas e tantas coisas, e não usou uma palavra sequer. Ouvi o silêncio, apenas. E o som tranquilo de seus passos. Tampando meus olhos havia um mar. Era como se estivessemos em uma xícara de café. O mesmo café preto que me fazia companhia nos sábados em que eu não conseguia me fazer radiante, então cantava. E tampando minha nuca havia alguém. Talvez fosse delicada, talvez não. Horas depois de o tempo ter parado, eu senti meu cabelo espalhafatoso dobrar. "Era um presente dentro de uma caixa natalina" pensei por hora. Mas não, era apenas uma boina francesa. As cores me arderam os olhos, pois elas não haviam. Era preta. Isso que nem cheguei a observá-las. Foi quando além dos olhos, me senti incomodado por outro fato: a boina estava escorregando. Iria manchar as suas cores tristes com café. Levei minhas mãos como uma longa viagem até a tal boina, e pronto, arrumei-a. Ventando ao meus ouvidos ouvi umas poucas sílabas que diziam: "Não. Deixe. É assim!". Pousei minhas mãos sobre o vento, com a mesma sensação de queda. Não levaram muitos minutos até que me acostumasse. Quando finalmente decidi olhar pra trás, nada havia. Havia, claro. Mas como em um sonho, não mais havia.
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