domingo, 25 de outubro de 2009

Da árvore que nasce do teto brota música. O violino vira vento, quando em mim o vento voa. Tudo cabe na palma da mão; em nós: num palmo do coração. Dobro suave apenas mais uma vez e guardo no bolso, seu moço. Levo nas botas umas esfarrapadas desculpas, e nos meus olhos esfarrapados minhas conversas de botas batidas. Tropeço no céu, toda noite; "abrigo! abrigo!". Eu chamo, tenho a voz roída; roída de tanto chamar. Tiro do bolso o troco do meu poema e arremesso com toda força na janela da moça, que quebra. Se não quebrar por hoje, seu moço, quebro eu; e quebrado invento uma canção com meu coração pra dar à ela, e guardá-la no fundo do meu violão.

Um comentário:

  1. sorte das meninas que têm o privilégio de ter suas janelas quebradas por palavras e sentimentos vermelho-do.re.mi.

    êba! arvores musicais. :D

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