quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pára espelho, pára! Abro a boca e ele me abre a cuca. Fecho o olho e vejo-me dentro, bem de perto. Saio correndo pelo avesso do meu mundo até o meu mudo gritar. Sai de mim um ser fantoche, tem no olho dois pontos de interrogação. Vê o rádio na varanda musicar; vira dança de ciranda. Corre agora ao avesso de si mesmo, e vê novamente o espelho. (Espanto!). Oh Céus, eu sou um desenho no espelho, sem papel, parede, lápis ou pincel. Sem autor ou dor; de cor viro razão. Eu sou um velho caduco, e agora sou vilão. Pulo prédios da altura dos meus ombros e desmancho no colchão; são as nuvens demanhã. Ah, e de noite é o chão. Não desmancho mais no chão, viro folha de papel e depois viro chapéu. Capitão agora fui, meu chapéu é de dar medo, ele então é de papelão. Tudo isso sou agora, amanhã eu não sou mais; amanhã eu nem sou eu.

Um comentário:

  1. eu confesso que me perdi no meio do texto. ahauhauuha
    mas, espelhos devem ser sardinhas transparentes que foram cristalizadas.

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