segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Eram 23:23 no relógio; quase 24. Na casa azul dos passarinhos o tempo não existia, nem na casa azul do meu caderno. Nem existia casa, e nem azul; e o caderno? Não existia barco, mar e nem café. No meu nariz agora 23:28; quase 27 ao fim. Nas esquinas haviam olhos, a me arregalar e a pepitar. Não haviam mais esquinas, apenas a esquina Hollanda do Seu Buarque. Doce chocolate doce, alegrava a boca à boca ao beijo. Dois estranhos trocando de ser, de ser, de ser e não ser humano. De ser um anjo, irmã, e ser um tanto de tanto amar. Virei cartola ao mascarado, e do mágico ao giz pra te achar. Nem no mundo, nem no fundo do fundo desse mundo. De tanto e de tanto amar agora 23:38 são, só, santo pé do chão. Hora agora de correr, de dormir e de cair da cama até o céu. E do céu sonhar que vai passar, como passou você, e como passará se eu sonhar.
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