segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Era fim de ano, e a casa continuava como sempre: cada vez mais deserta. Nem por mapa a achavam, nem por nada. Hora ela estava no seu peito, quase em vez do coração; e hora ela estava nas estrelas, onde sempre estará. O portão era a porta, e o porta-retrato ao mesmo tempo, onde tudo começava. As escadas teimavam em fugir dos pés, e o relógio em correr para trás. Todos tropeçavam no céu e nunca ninguém tentara entrar ali antes. Foi envão, até que alguém ousou me invadir o tal segredo. Me pegou de surpresa, quase virando uma arvore de plastico. Os braços, por falta de abraços, viravam galhos. E os olhos, tão cheios de vazio, viravam cores. A casa teimava agora em tranca-la ali, seja lá onde for: na lua, na rua, nas estrelas, no verso ou num cantinho qualquer do fundo de um violão. (Há quem troque violão por coração)

2 comentários:

  1. Os braços, por falta de abraços, viravam galhos. E os olhos, tão cheios de vazio, viravam cores.

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  2. Me pegou de surpresa, quase virando uma arvore de plastico.

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