Ela não tinha passos, nem tinha pernas. Mas ele, aquele velho discreto e sábio tinha, tinha um par de passos a menos pernas à sobrar. Ela desenhava até a noite doer. E ele a escrever, até a noite cair. Era uma eterna brincadeira entre os dois seres, o dela distante, quase não existindo. E o dele à existir, mais do que nunca à desistir. Francisco nas barbas trocava de lápis, e nascia então Dona Joana, a Francesa, sempre à trocar de língua. O Caro Francisco levava no bolso o violão sem cordas, e seu chapéu de vento. De papel, estrelas e maças. A Rita então roubou-lhe de tudo, do sorriso ao assunto. Francisco nascia e morria ao se pôr mais uma composição à elas. E foi assim levando, Seu Chico, e ele a me levar. Nas linhas, entrelinhas e canções - tentava ele. A última, só mais uma, e depois poderia se pôr ao céu de graça e lua. Mas os pensamentos já andavam ao contrário. E quando ele me percebeu por perto, cedeu. Por seus olhos eu vi, e corri contar à ela:
- Agora eu sei. Eu sei quem é você!
- Quem?
- A canção que Francisco nunca conseguiu escrever.
Um breve relato à Chico Buarque de Holanda e Ela, a Pequena.
sábado, 16 de janeiro de 2010
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