sábado, 30 de janeiro de 2010

Quando o passo é maior que a perna e a pressa é maior que o traço, o desenho quase não molda. Era palhaço, de nariz caindo ao chão. Céu voando avoado, bailarina à ler as nuvens sem céu. Era o conto da sua vida sem começo. Um vestido amarelo, um beijo de papelão, e um verso anotado à sete chaves no avesso do papel de pão. O artista voava ao quadro, deitava em cores e comprimia-se ao comprimido para a lua colorir. Foi adoecendo 3x4, um dia por vez, um dia por noite. Caçou canções e atirou no quadro, que já não tinha moldura. Ele existe e pode ser visto, mais não pode-se guardar. Nem no bolso de um poeta.

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