terça-feira, 20 de abril de 2010

No começo era só mais uma daquelas viagens sem volta. Sem inicio ou fim. Sem metade ou cara metade. Ela atravessou a rua como quem se atravessa ao peito, e some. Me parecia como sempre. Um abraço. Três palavras e meia. Olhos cor de nuvem. Um sorriso cativamente. E apartir dali navegaria de novo, nas lágrimas do meu próprio violão (coração). Ela me costurou ao seu braço e abraço. Me cobriu de vento, era tão frio. As estrelas choviam. Choviam até a lua minguar pela sua janela, e me deitar no coração.
Se eu pudesse daria o mundo à ela. Colocaria uma lua cheia, tão cheia de jeitos e maneiras. No fim do dia, quando ela fosse nascer, eu nasceria com ela à menina, no terraço mais alto de uma amizade. Em um arranha céu quase infinito. Eu cantaria, de meia lua, à encanta-la. Colocaria também uns quatro pares de nuvens borrifadas de lilás, bem atrás do seu coração (isso seria uma surpresa, é claro). Para o nascer do dia, levaria à sua cama um oceano de café, e dentro da xícara, um buquê colorido de rosas e tulipas. O sol deixará o céu avermelhado por todas as horas do dia, no meio-dia descolorirá. Ele irá se derreter como chocolate, e fará um arco-irís de cores, nas entrelinhas do pôr-do-sol.
Lembra do avião sem asa? Lembra do circo sem palhaço? E do Romeu sem Julieta? Eles podem se refazer aos poucos, podem sobreviver com malabares ou encenar outras peças da canção. Mas e eu? Eu viro parte da ponte que teme o vento lá dentro da noite, e sumo. É como se eu não tivesse nascido, nem em uma folha de papel. Sem identidade ou olhos. Guardaria em uma caixinha minha estrela cadente, minha flor, minha raposa, minha cidade ideal, minha prioridade, minha alegria e minha vida (que por sinal todas elas são você), e guardaria no céu do meu coração, deitaria, choraria um oceano, e dormiria para sempre, para sempre te lembrar.

Se eu te desse tudo o que você me faz, a tristeza viraria uma fada, e a fada... o amor!


Dedicado à Nicole Zimmer

Nenhum comentário:

Postar um comentário