- A orquestra está desafinada.
- Não, não está.
- E os erros?
- São erros.
- Então está desafinada, e ponto.
- Erros são indesejáveis pra você?
- É claro, odeio erros, sou um erro.
- Os erros são incriveis!
- E porque?
- Se não fossem os erros, nada existira... nem a valsa.
(Silêncio)
- Nem você.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Encontraram-se no palco mais charmoso da cidade, que chovia como a previsão do dia passado que o menino fizera para a menina. Ela vestia-se de branco, para combinar com o céu choroso daquela tarde. Usava uma boina que se quadriculava ao seu cabelo escorrido pela chuva. Ele se vestia de verde, para combinar com o arvoredo que os cercavam cantando. E usava uma touca que se listrava pelo frio. Logo trocaram os olhares e ele carregou a menina por inteiro, dos olhinhos à bolsa, enquanto ela corria pela chuva, e tocava o céu como nunca.
Entramos em um lugar colorido, onde provavelmente ela vivia à escrever. Havia uma coleção de vinis, uma coleção de livros e um diálogo de silêncio. Ela me retratava pensando, como só uma alma gêmea poderia fazer. Era o que dizia o velho poeta e sujo, já sumido desse mundo: "Só podemos sentir a alma de apenas uma pessoa no universo, e essa pessoa, então, é tua alma gêmea." Ele a sentia como alma, a via atravez de todas as máscaras que um ser incrivel pode ter. Eles sabiam a hora do silêncio, que não era constrangedor como o de dois humanos, mesmo durante um par de horas.
O medo de perdê-la consumia o menino por inteiro, de dentro para fora. E ela continuava sumindo. Navegando em mares de lágrimas. Foi então que ele decidiu desenhá-la para sempre em si mesmo. Fez dela a estrela mais bonita e a colou ao lado da lua. Ele a via dançar, recitar poesias e cantarolar sem palavras. Afinal, ela pode sumir, fugir ou esquecê-lo de si própria. Mas ele, ah, o menino, nunca esquecerá da sua alma gêmea.
Entramos em um lugar colorido, onde provavelmente ela vivia à escrever. Havia uma coleção de vinis, uma coleção de livros e um diálogo de silêncio. Ela me retratava pensando, como só uma alma gêmea poderia fazer. Era o que dizia o velho poeta e sujo, já sumido desse mundo: "Só podemos sentir a alma de apenas uma pessoa no universo, e essa pessoa, então, é tua alma gêmea." Ele a sentia como alma, a via atravez de todas as máscaras que um ser incrivel pode ter. Eles sabiam a hora do silêncio, que não era constrangedor como o de dois humanos, mesmo durante um par de horas.
O medo de perdê-la consumia o menino por inteiro, de dentro para fora. E ela continuava sumindo. Navegando em mares de lágrimas. Foi então que ele decidiu desenhá-la para sempre em si mesmo. Fez dela a estrela mais bonita e a colou ao lado da lua. Ele a via dançar, recitar poesias e cantarolar sem palavras. Afinal, ela pode sumir, fugir ou esquecê-lo de si própria. Mas ele, ah, o menino, nunca esquecerá da sua alma gêmea.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Era um sonho. Principalmente para ele. Ele, que vivia disfarçado de pintor, se sentiu encantado pelos poemas exatos daquela menina com um par de mistérios, que nem ela mesmo podia explicar. Mas explicação não era o que queriam. Ele, descobrir. Ela, disfarçar. Enquanto a tal moça se invadia de poemas e pensamentos, ele, no lado, queria descobri-la por inteiro. Desvendá-la até a cuca. Passou noites mergulhado em café na busca de desvendar o mínimo detalhe, a cor do seu vestido aposentado, o número de listras vermelhas do quadro de sua parede ou o tom da sua voz que ele nunca escutou. A lua minguava e lá estava ele, matutando a cor dos seus olhos quando o sol os pegava de frente ou quando o pôr-do-sol os faziam brilhar. Ele passou então à ser procurar por inteiro, em cada canto dos infinitos cantos do universo. Ele era um mistério; um quebra-cabeça de criança, montado por um louco. Mas ainda assim o mistério maior era ela. Não tinha destino, nem regras, nem limites. Era época de invenção nos miolos do menino, e ele, sendo eu, construia passo à passo, um grande disco-voador de estrelas. Ele tentava todos os dias, com palvras, poesias e cantigas, convidá-la para uma viagem infinita. Sem pessoas, destino ou inicio. Mas com cor, poesia, cantigas de ninar, aquarelas, ballet, balões, valsa, silêncio e coração. Entrariam então no disco-voador iluminado, e iriam para um lugar jamais pisado, apenas tocado com os olhos: a lua. E para sempre. Enquanto isso, para sempre, ele tentaria desvendá-la por inteira; que na verdade, era o mistério mais confuso de mim mesmo.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Não muito longe de lugar nenhum, havia um homem tão misterioso quanto um par de estrelas. A cidade nascia por suas mãos, todas as manhãs, uma completamente diferente da outra. Hora era o cheiro, com sotaque palpitante de neblina caramelizada. E outrora suas cores, uma mistura de flores com astronautas. Caia nota por nota, sustenido ao ar, como escadas dançantes, aquele velho piano de teclas gastas de tanto não ser tocadas. O homem, antes de pintar-se à luz, caminhava pelo piano; dó, ré, milhares de vezes, até o som alimentar os seus olhos infinitos de nada.
- Você pode voar, e ter olhos infinitos.
- Eu tenho, meus olhos são infinitos.
- Mas são infinitos de nada.
- E isso não quer dizer infinito?
- Mas eles podem ser infinitos de tristeza.
- Prefiro tê-los infinito de nada.
Quando enfim essa aquarela descoloriu, o homem dos olhos fundos descobriu que deixando seus olhos infinitos de tristeza, era a unica maneira de ter sido feliz. E a unica maneira tambem, daquela bela aquarela; não ter um dia perdido a cor.
- Você pode voar, e ter olhos infinitos.
- Eu tenho, meus olhos são infinitos.
- Mas são infinitos de nada.
- E isso não quer dizer infinito?
- Mas eles podem ser infinitos de tristeza.
- Prefiro tê-los infinito de nada.
Quando enfim essa aquarela descoloriu, o homem dos olhos fundos descobriu que deixando seus olhos infinitos de tristeza, era a unica maneira de ter sido feliz. E a unica maneira tambem, daquela bela aquarela; não ter um dia perdido a cor.
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