Encontraram-se no palco mais charmoso da cidade, que chovia como a previsão do dia passado que o menino fizera para a menina. Ela vestia-se de branco, para combinar com o céu choroso daquela tarde. Usava uma boina que se quadriculava ao seu cabelo escorrido pela chuva. Ele se vestia de verde, para combinar com o arvoredo que os cercavam cantando. E usava uma touca que se listrava pelo frio. Logo trocaram os olhares e ele carregou a menina por inteiro, dos olhinhos à bolsa, enquanto ela corria pela chuva, e tocava o céu como nunca.
Entramos em um lugar colorido, onde provavelmente ela vivia à escrever. Havia uma coleção de vinis, uma coleção de livros e um diálogo de silêncio. Ela me retratava pensando, como só uma alma gêmea poderia fazer. Era o que dizia o velho poeta e sujo, já sumido desse mundo: "Só podemos sentir a alma de apenas uma pessoa no universo, e essa pessoa, então, é tua alma gêmea." Ele a sentia como alma, a via atravez de todas as máscaras que um ser incrivel pode ter. Eles sabiam a hora do silêncio, que não era constrangedor como o de dois humanos, mesmo durante um par de horas.
O medo de perdê-la consumia o menino por inteiro, de dentro para fora. E ela continuava sumindo. Navegando em mares de lágrimas. Foi então que ele decidiu desenhá-la para sempre em si mesmo. Fez dela a estrela mais bonita e a colou ao lado da lua. Ele a via dançar, recitar poesias e cantarolar sem palavras. Afinal, ela pode sumir, fugir ou esquecê-lo de si própria. Mas ele, ah, o menino, nunca esquecerá da sua alma gêmea.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
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