quinta-feira, 27 de maio de 2010
Era um sonho. Principalmente para ele. Ele, que vivia disfarçado de pintor, se sentiu encantado pelos poemas exatos daquela menina com um par de mistérios, que nem ela mesmo podia explicar. Mas explicação não era o que queriam. Ele, descobrir. Ela, disfarçar. Enquanto a tal moça se invadia de poemas e pensamentos, ele, no lado, queria descobri-la por inteiro. Desvendá-la até a cuca. Passou noites mergulhado em café na busca de desvendar o mínimo detalhe, a cor do seu vestido aposentado, o número de listras vermelhas do quadro de sua parede ou o tom da sua voz que ele nunca escutou. A lua minguava e lá estava ele, matutando a cor dos seus olhos quando o sol os pegava de frente ou quando o pôr-do-sol os faziam brilhar. Ele passou então à ser procurar por inteiro, em cada canto dos infinitos cantos do universo. Ele era um mistério; um quebra-cabeça de criança, montado por um louco. Mas ainda assim o mistério maior era ela. Não tinha destino, nem regras, nem limites. Era época de invenção nos miolos do menino, e ele, sendo eu, construia passo à passo, um grande disco-voador de estrelas. Ele tentava todos os dias, com palvras, poesias e cantigas, convidá-la para uma viagem infinita. Sem pessoas, destino ou inicio. Mas com cor, poesia, cantigas de ninar, aquarelas, ballet, balões, valsa, silêncio e coração. Entrariam então no disco-voador iluminado, e iriam para um lugar jamais pisado, apenas tocado com os olhos: a lua. E para sempre. Enquanto isso, para sempre, ele tentaria desvendá-la por inteira; que na verdade, era o mistério mais confuso de mim mesmo.
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é inevitável não imaginar.
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