A barba crescia por entre o jardim de poesias daquele velho senhor. O varal de corda presa, soltava-se do espaço para secar cada música avoada pelo ar. As poesias lhe saiam pela manhã, e brotavam ao longo do dia, sem parar para apontar o lápis do pensamento. As borboletas levavam nas asas todos os poemas escritos pelo poeta de barbas compridas. Quando de noite dormiam, os seres que se chamam crianças, as borboletas entravam pela chaminé do desenho mais colorido do lar doce que adormeciam, e colocavam as poesias em ordem aleatória em cada sorriso guardado debaixo do travesseiro.
Quando acordavam, os pequenos seres transparentes, sentiam que podiam voar se quisessem. Anos passavam, dentes caiam, cores derretiam, olhos escorriam, sentidos morriam, e a doce criança do sorriso encantado, já era um adulto sem cor, sorriso ou um pingo de felicidade. E tudo por causa do tal poema. O tal poema que está em cada detalhe de nossos dias. Em cada folha, em cada som, em cada silêncio. Em cada cor, em cada dor, em cada pôr. Em cada sol, em cada fá, em cada lápis de cor. O tal poema que existe por tudo que se olha, mas só os pequenos que sentem e percebem, conseguem ficar com ele para sempre nos olhos, até que morra. Mas sem ter precisado crescer um dia.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
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